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Moda Sustentável e Consumo Consciente

É amplamente conhecida a pegada que a indústria da moda tem deixado no planeta nas últimas décadas. É a segunda indústria mais poluente, podemos imaginar porquê.

Vivemos numa sociedade materialista, o ato de comprar faz parte das nossas rotinas, de forma mecanizada, não pensamos o que compramos, nem compramos os que pensamos. Este é um dos problemas relacionados com o consumo.

Comprar o que não necessitamos, é uma prática diária, e com consequências negativas a vários níveis. Ouvimos dizer que já não é sustentável manter o ritmo, que o planeta se encontra próximo do colapso, mas ficamos presos no problema, e na verdade precisamos de avançar, no bom sentido, sermos mais conscientes e sustentáveis na nossa escolha. Se é fácil? Bem, hoje é mais do que era há uns anos. Mas na moda ainda estamos muito distantes da transformação necessária. Os nossos hábitos, estão presos numa verdade, que é na realidade uma mentira.

Porque nos fizeram acreditar que os recursos do planeta são ilimitados, e que era possível ter uma t-shirt por menos de 5€ e comprar um par de calças por menos de 10€. Acontece que os recursos necessários para podermos comprar essas t-shirts ou calças, ou outra peça de roupa qualquer, são limitados, quero dizer, que podem acabar. Sei que pode soar estranho, mas essas peças que nós compramos, precisam dos recursos do planeta. Uma t-shirt por exemplo, precisa de espaço de terra, precisam de solo, de água mesmo muita água, de um determinado clima. E também de mão de obra humana barata, de pesticidas, de químicos. De transporte e embalamento, que só esta fase causa um impacto enorme, na produção de lixo e na pegada carbónica. E muito mais.

Seria muito positivo se as nossas compras fossem todas feitas de forma racional e consciente, mas infelizmente não é isso que acontece. E por diversas razões, uma delas é a compensação que é pretendida no momento de compra, sem nos apercebermos vamos ao shopping como uma desculpa, para depois entrarmos numa loja e comprar até nos sentirmos completas. Consoante a disponibilidade económica, ou a compensação necessária, assim o tamanho do “disparate”.

A compra por impulso, podendo estar relacionada com o consumidor traduz-se habitualmente no ímpeto de comprar uma peça de roupa, de calçado ou acessório, e para nos ajudar a aliviar da culpa o nosso cérebro arranja rapidamente uma qualquer justificação para se prosseguir.

Na compra por impulso relacionada com fatores externos, temos a ajuda das marcas de moda que através da publicidade, muitas vezes genial, acionam os nossos sensores, e como um magneto ficamos presos num desejo de compra, repentino, pouco ou nada racional.

Mas independentemente das razões, a verdade é que se conseguíssemos comprar apenas o que é realmente necessário e eliminar o desnecessário, só este ato, já teria um enorme impacto, mas desta vez, positivo. A compra deverá ser feita de forma consciente, tendo como premissa base, a necessidade. É critico ajudar as pessoas a perceberem o que estão a fazer de errado e dar uma solução, caso contrário será difícil alcançar as mudanças que necessitamos de fazer.

#buyonliyfnecessary é disso exemplo, um movimento que fundei precisamente para alertar e suscitar a autoconsciência no processo de compra.

Este movimento assenta em quatro pilares, partilho acreditando que estes podem constar da nossa checklist antes de iniciarmos as nossas compras.

Os quatro pilares do movimento são os abaixo, e se fizermos o exercício de responder a algumas destas questões e a levar em conta as sugestões vamos por certo estar a fazer melhores escolhas.

O primeiro pilar é a Consciência, reconhecer que o problema não é comprar, mas antes se a compra é necessária e consciente. Porquê da compra, que propósito serve, posso adiar a compra? Posso substituir esta compra? São questões a colocar.

O segundo pilar é o Equilíbrio, é desejável encontrar o equilíbrio no comportamento de compra, encontrar o espaço entre o necessário e o desnecessário. É o desnecessário que queremos evitar.

Em terceiro considero os Recursos como um pilar base deste movimento, os recursos do planeta não são ilimitados, na compra devemos privilegiar as opções mais sustentáveis. Saber de onde vêm, quem produziu, os materiais ou ingredientes utilizados é muito importante ter a informação essencial.

E por último o quarto pilar, o Impacto, são da nossa responsabilidade as decisões que tomamos. Todas as escolhas criam impacto, a dimensão do impacto depende de cada um de nós.

Podemos continuar a fazer o mesmo de sempre, ou podemos consumir de forma diferente. Sendo apaixonada por Moda e Beleza poderia parecer difícil de conjugar esta paixão e ser uma consumidora consciente e mais sustentável, mas na realidade é possível e sinto-me muito mais grata e em pleno com o meu estilo de vida. Ao partilhar convosco, o que desejo é que possam sentir o mesmo.

#buyOnlyIfNecessary

Um beijo,

Vera

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